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Pagª 26 - EDIÇAO NºXXVI , IVº NUMERO  DE JUNHO DE 2009 - COMENTARIOS

Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes.   

Cartas ao Director

Depois de alguns amigos e leitores nos terem escrito com o intuito de colaborarem financeiramente (também financeiramente nuns casos e só financeiramente noutros) lançamos nos últimos números as bases (que recordamos abaixo) para que sejam feitos donativos.

Embora a situação esteja mesmo muito má em termos de disponibilidades neste aspecto financeiro é com agrado que registamos a entrada dos primeiros donativos para o nosso Jornal RAIZONLINE. Em devida altura abriremos uma secção específica sobre esta questão e caso as pessoas queiram tornar públicos os seus donativos, deverão enviar-nos cópia do talão (ou do documento) uma vez que os sistemas bancários não registam de forma inequívoca a origem dos fundos.

E já agora, os nossos agradecimentos... vamos trabalhando para construir um jornal maior e melhor como temos feito sempre.

Repetição do conteúdo anterior:

Este jornal pode gabar-se de não ter até agora consumido um cêntimo (descontando o trabalho de cada um e as despesas que já eram correntes com a net, software e computadores).

Mas...talvez seja altura de se começar a pensar nisso:

1) - o primeiro alarme nesse sentido apareceu - nos na mente quando foi aqui noticiada uma festa de homenagem a Odete Murta (uma fadista e marido que atravessam uma situação crítica),

2) - foi crescendo à medida que reparamos talentos que têm dificuldade financeira em fazer-se publicar

3) - e foi crescendo também pela necessidade que vamos tendo de frequentar eventos onde se possa proceder à promoção do jornal, de fazer deslocações que nem sempre cabem em salários cada vez mais apertados, enfim...toda a gente (salvo alguns privilegiados) sabe como é.

Assim, e enquanto as coisas não ficam organizadas de outra forma dizemos àqueles que já nos contactaram neste sentido e àqueles que ainda não nos contactaram porque ninguém falou disso que estamos disponíveis para receber donativos (por enquanto donativos, mais tarde também publicidade paga) e que a pessoa que foi «nomeada» para fazer o lugar de tesoureira enquanto a estrutura não estiver melhor organizada é a Arlete Piedade.

Os números (nacionais e internacionais) da conta afecta a este efeito vão abaixo.

NIB 0033 0000 0007 6587 4180 5

IBAN PT50 0033 0000 0007 6587 4180 5

 

O Ritual do café

Ilona Bastos

Estampa-se o sol em delicados raios
Sobre o mármore branco e liso da cozinha.
.
Suavemente me debruço e uma porta abro,
Recolho a chávena fina e o florido prato.
.
Ergo o meu braço e num voo livre,
No gesto de um armário desvendar,
Colho o nobre pó de inebriante aroma.
.
Alongo a mão que a gaveta encontra,
E dela escolho, enfim, a colher mais bela,
Brilhante, pequena, com terno recorte.
.
Tudo coloco em ordem e harmonia:
O prato tranquilo e a expectante chávena,
Nesta, o torrado grão moído, de castanho intenso.
.
No açúcar rico, centro o meu cuidado,
A montanha branca transportando, pura,
Em bojuda prata que doce se inclina.
.
E luzem cristais em cascata linda!
.
Depois, a água borbulhante, quente,
A mistura inunda, dissolvendo-a
Em espirais de espuma que a colher adorna.
.
Café! Café! Precioso encanto!
.
Em dégagé devant te cumprimento,
Os meus braços lanço em acolhimento grato.
.
Da janela aberta me acerco então.
Tão bela é a vista que o Outono pinta no jardim!
Castanho da terra e verde das plantas unem-se
À água que brilha em bebedouro antigo.
.
Aspiro, feliz, da manhã tranquila, o seu odor
A quente café e à relva orvalhada.
Olho o céu e sorvo um gole, outro e outro.
.
E assim me quedo, por instantes longos.
Entre o prazer forte do café e a doçura da manhã
Mais um dia de vida se inicia!

 

«A amizade é um amor que nunca morre».

Jóias belíssimas custam os olhos da cara
Carros importados têm alto valor material
Amigo que é coisa preciosa e muito rara
Custa apenas muito afeto sincero e leal

«A amizade é um amor que nunca morre».
Sentimento cultivado ao longo da estação
É emoção viva que das artérias escorre,
Que lubrifica a vida e ativa o coração.

Denise Severgnini
11:40
25/11/2007

Mote:
«A amizade é um amor que nunca morre».
(Mário Quintana)

 


A Batata Frita Aventureira
de Ilona Bastos

 

Assim que a tiraram da frigideira, dourada e a estalar, a Batata Frita percebeu que era diferente das suas irmãs. Sentiu-se importante e pensou: - Preciso de aventuras!

Já na travessa, a caminho da mesa, não se conteve e espreitou pela borda, meio erguida, quase de fora.

A mãe serviu o prato do Miguel, cortando o bife aos pedaços e dispondo o ovo estrelado e as batatas fritas com cuidado. Mas ao menino não passou despercebida a Batata Frita Aventureira, ansiosa, a debruçar-se perigosamente sobre a toalha.

- A Batata Frita! - disse o menino, apontando.

A mãe virou-se, um segundo apenas, para responder:
- Come!
A Batata fez um esforço, conseguiu soltar-se das outras batatas e pulou, afoita, para cima da mesa. Ficou sentada um bocadinho, a observar tudo em redor.

E o Miguel, com os olhos espantados, voltou a apontar:
- A Batata Frita!
A mãe franziu o sobrolho, impaciente:
- Miguel, já te disse! Come!!

Então, a Batata Frita levantou-se e rapidamente escondeu-se atrás de um copo. Aguardou um momento, deu alguns passos, mas tropeçou num garfo e ficou lá presa, aflita, a espernear.

O menino estendeu o braço, para alcançar a Batata, e ainda inclinou a cabeça, a chamar a atenção, repetindo suavemente:
- A Batata Frita!
Porém, a mãe do Miguel já estava mesmo muito zangada:
- Quantas vezes tenho de repetir, Miguel? Come!!!

O menino endireitou-se na cadeira, amuou e fez beicinho.
Depois, foi-se aproximando da mesa, lentamente. Curvou os lábios numa risada ladina, agarrou a Batata e libertou-a.

A Batata Frita agradeceu, com entusiasmo, acenou, e afastou-se, correndo, pela toalha fora:
- A Aventura!!!

 

Fauna & Flora: A observação dos pássaros

Pardais

Na imobilidade que impõe, a observação dos pássaros é uma actividade surpreendentemente viva. Os pássaros são espertos, desenvoltos, ladinos, simultaneamente nervosos e precisos nos súbitos movimentos de cabeça, no saltitar astuto, no debicar rápido e sagaz!

Seguia eu de automóvel, numa dessas manhãs modorrentas em que o céu nublado condiz com o nosso cérebro confuso, e, diante de um semáforo cuja luz vermelha parecia ter parado no tempo, pousei o meu olhar apático sobre o branco acinzentado da calçada.

Movimentos breves, ligeiros, múltiplos, chamaram a minha atenção: pardalitos encantadores saltitavam pelo passeio.

Do canteiro, onde se encontravam, avançavam para o empedrado em pequenos saltos e graciosos meneios de cabeça, ora para vigiar em redor, ora para debicar algo no chão. Saltitando, espalhavam-se, corajosos.

E logo atrás, superior, majestoso, um melro seguia o mesmo percurso. Plumagem preta, bico amarelo, pose distinta, não ameaçava nem protegia os pardais, mínimas e perfeitas criaturas de cor parda, pompons de penas, que pela manhã se moviam.

E, enquanto observava os pássaros, na imobilidade que tal tarefa implica, senti-me subitamente desperta, lúcida, viva, contagiada pelo vigor dos pardais!